“Por que só eu não posso participar do King of Fighters?!”
“Pois é! E por que só eu tenho que acompanhar o mestre Jhun e o mestre Kim?”
As vozes de Choi Bounge e Chang Koehan ressoaram pelo dojô.
Eles já estavam há anos sendo “reabilitados” por Kim, e agora estavam irritados. Antes, só pensavam em fugir, mas com o tempo, acabaram se conformando.
Mas isso não significava que a reabilitação de Kim estava dando certo. Nem de longe.
Choi resmungava consigo mesmo:
(“Além de cuidar da casa enquanto eles estão fora, ainda vou ter que tomar conta dos dois pirralhos do Kim? Não, obrigado!”)
E Chang também não estava nada feliz:
(“Ficar no meio desses dois que não se bicam, sendo puxado para lá e para cá? Tô fora!”)
“Hahaha! Fico feliz com o seu espírito de luta, Choi. Mas dessa vez, é um pedido especial do Jhun. Fica por aqui e segura as pontas pra gente, tá?”
“Ah, fala sério!”
“Se-gu-ra-as-pon-tas.”
Kim cruzou os braços e sorriu de forma ameaçadora, com os seus dentes brilhando. Se Choi reclamasse mais uma vez, provavelmente levaria um chute na cara “pela reabilitação”.
“…T-tá bom, entendi!”
“Hahaha! Tá vendo? Quando a gente conversa direitinho, todo mundo se entende!”
“Se não ‘se entender’ significa sair cheio de hematoma, prefiro deixar pra lá!”
“Nem me fala…”
Eles sussurraram, mas Kim ouviu.
“O que vocês disseram?”
“Nada não! Só que o treino é muito divertido!”
“Isso mesmo, a gente ama treinar!”
Os dois responderam na hora, forçando um sorriso.
“Hahaha! Sabia que vocês estavam gostando!”
Kim riu satisfeito, enquanto os dois suspiravam baixinho. Quem diria que ambos já foram criminosos perigosos? Agora pareciam extremamente cautelosos e submissos.
Para quem não sabe, Chang Koehan, o cara da bola de ferro gigante, era um prisioneiro fugitivo com força sobre-humana. Já Choi Bounge, com suas garras afiadas, era um ex-assassino em série.
Kim estava há anos tentando “reabilitá-los” através do taekwondo, para que seguissem o “caminho da justiça”. Mas, até agora, sem sucesso.
E no meio disso tudo, ainda tinha Jhun Hoon, um rival de Kim que nunca se deu muito bem com ele.
Jhun se aproximou e disse:
“Foi mal, Choi. Mas dessa vez eu preciso muito entrar no KOF.”
“Mas por que tanta insistência?”
Jhun fechou os olhos e deu um sorriso de canto.
(“Hehehe… é tudo graças a nova regra de substituição do KOF…”)
O plano dele era simples:
Antes, as lutas eram individuais, mesmo sendo de times de três. Mas agora, com a nova regra de substituições livres, ele poderia entrar no meio da luta quando Kim estivesse em apuros, salvar o dia e derrotar o oponente de forma espetacular.
Assim, todo mundo veria que ele era mais forte que Kim.
Mas, claro, ele não podia falar isso abertamente.
“Nosso país só vai ter um time competindo. Isso significa que a equipe precisa ser a melhor possível. Concorda comigo?”
“É… faz sentido.”
“Choi, você melhorou bastante, mas ainda não tá no meu nível. O mesmo vale pro Chang, mas pelo menos ele tem um estilo de luta diferente, o que equilibra o time.”
Enquanto isso, Choi cochichava com Chang:
“Ei, Chang…”
“O que foi?”
“Essa formação pode ser nossa chance!”
“Chance? Como assim? Com aqueles dois babacas ali, não importa o quanto eu me esforce, nunca vão me libertar. E te libertar junto? Isso é 200% impossível.”
“Ah, mas é aí que entra a nossa estratégia!”
O plano de Choi era o seguinte:
O público adora uma boa história de superação. Então, no final do torneio, ele apareceria de surpresa e diria:
(“Na verdade, eu estava acompanhando tudo de longe, torcendo por vocês!”)
Se Chang fizesse cara de emocionado também, era bem capaz de conseguirem enganar Kim, que sempre foi sentimental.
“E aí a gente dá um jeito de convencer ele que já estamos totalmente reabilitados!”
“Entendi… vamos apelar pro emocional e deixar a mídia fazer o resto… isso pode funcionar!”
“Viu só? Dessa vez a gente consegue!”
“Se é assim, melhor a gente arrebentar nesse torneio!”
Enquanto isso, Kim estava preocupado.
O trabalho em equipe ia ser essencial nesse KOF. Ele já conhecia bem Chang e Choi, mas Jhun era um problema. Se o time ficasse descoordenado, a derrota seria inevitável.
Porém, Kim também tinha o seu próprio plano.
(“Se eu usar bem essa regra de substituição, posso salvar o Jhun no meio da luta e deixar ele me devendo uma. Assim, ele finalmente cala a boca e para de me encher o saco!”)
Mas, claro, ele tinha que disfarçar.
“Bom… se você faz tanta questão assim, Jhun…”
Era um time que falava em justiça, mas cada um tinha suas segundas intenções.
No fim das contas, de um jeito ou de outro, todos se uniram (?).
“Kim, tá tranquilo. Dessa vez, vou ficar de fora e torcer por vocês!”
“Fico feliz em ouvir isso, Choi!”
“Nós ainda somos um time, mesmo separados!”
“Isso mostra que sua reabilitação está avançando!”
“Esse troféu vai ser por você, Choi!”
“Com todos assim tão motivados, não tem como perdermos!”
“Vou estar lá na cerimônia de premiação, então não esqueçam de mim!”
“É claro! Hahaha!”
“Hahahaha!”
Com planos um tanto questionáveis em mente, o trio da Coréia partiu para mais um KOF.
Dizem que a inscrição da equipe correu bem… tirando o trabalho de transportar a bola de ferro do Chang.