“Mai, King, eu demorei, né? Bora curtir o jogo!”
A temporada já havia acabado, mas em um estádio de beisebol nos arredores de South Town ainda estava rolando um torneio da liga AA, atraindo os torcedores mais fiéis da região.
Quem teve a ideia de chamar Mai Shiranui e King foi Mary Ryan, uma agente muito renomada.
“Vocês querem cachorro-quente e cerveja? Dizem que os daqui são incríveis.”
“Você tá mesmo empolgada com isso, hein, Mary?”
“Aliás, que roupa é essa? Vai jogar da arquibancada?”
King e Mai se entreolharam, curiosas. O estádio não devia ter mais do que mil espectadores, e só de ainda ter um carrinho de cachorro-quente funcionando ali já era algo inesperado.
Mary estava toda equipada: usando a jaqueta de sempre, boné de beisebol e, na mão esquerda, uma luva de couro bem gasta.
“Ah, isso? É pra pegar uma bola de home run. Toma, seus cachorros-quentes.”
Na arquibancada do campo externo, não havia cadeiras, só um gramado onde as pessoas se acomodavam como queriam. Alguns estendiam toalhas, outros estavam tomando sol sem camisa.
Apesar de já ser final de outono, o dia estava quente.
Mai deu a primeira mordida no cachorro-quente.
“Hmm, tá uma delícia! A cebola dá um gosto ótimo.”
“Não é? E com cerveja fica melhor ainda.”
“Mas olha, Mary, eu até entendo de sinuca, mas beisebol não é minha praia.”
“Relaxa. É só ver eles jogando, rebatendo e correndo. Não precisa entender tudo pra se divertir.”
“Será? Quantos pontos vale um home run?”
“Ah… bom…”
“Eu só sei jogar hanetsuki, então me explica. Quantos pontos vale um ‘out’?”
“Humm… melhor só curtir o jogo.”
O rebatedor acertou a bola com força.
Ela subiu alto no céu azul de South Town, mas o jogador do campo central já estava pronto e pegou a bola com facilidade.
Três eliminações, troca de turnos.
Aproveitando a pausa, King se virou para Mary.
“Mary.”
“Isso foi um ‘out’, não conta ponto.”
“Não é isso…”
“Estamos cercadas.”
Mai já tinha percebido. Não era um grupo grande, mas os caras estavam bem posicionados—na escada da arquibancada, atrás das placas, nos postes de iluminação. Eles sabiam o que estavam fazendo e estavam fechando o cerco aos poucos.
“Cinco… não, seis deles. Mai?”
“Aqui por perto, são seis. Mas pode ter mais esperando fora daqui.”
“Droga, vacilei.”
Mary suspirou, comeu o último pedaço do cachorro-quente, tomou um gole de cerveja e lambeu o ketchup dos dedos.
As três continuaram olhando para o campo, fingindo que nada estava acontecendo.
“Pelo visto, eles não vão usar armas. Acham melhor esperar até chegarem perto?”
“Você decide, Mary.”
O jogo continuava. O time visitante tinha um corredor na primeira base e ninguém eliminado.
O próximo rebatedor era o quarto da ordem.
PÁ!
O barulho do bastão ecoou no estádio no exato momento em que Mai girou e acertou um soco no nariz de um dos honens que tentou se aproximar dela.
Antes que ele pudesse reagir, ela agarrou seu braço e o torceu para trás. Isso durou dois segundos, no máximo.
Outro capanga tentou ajudar, mas King foi mais rápida.
Ela deslizou pelo chão e acertou um chute nas pernas dele, fazendo-o cair de costas no gramado. Antes que ele conseguisse respirar, King girou e acertou o calcanhar direto no estômago dele.
No jogo, a bola rolava pelo campo esquerdo, e o corredor corria como uma flecha em direção ao home plate.
A torcida vibrava, sem perceber nada do que acontecia nas arquibancadas.
“Tsk.”
Um dos homens olhou ao redor, viu a situação e bufou irritado.
“O que estão esperando? Malin!”
“Lento demais!”
Mary se moveu no instante em que ele se distraiu, agarrando seu braço.
Seu movimento foi quase imperceptível de tão rápido e preciso.… até que se pôde ouvir um estalo e seu ombro saiu do lugar.
A dor dele foi abafada pela vibração da torcida no estádio, que comemorava uma corrida bem-sucedida.
No placar, o time da casa pontuava.
O locutor vibrava no rádio de um espectador próximo.
Ninguém ali tinha percebido a confusão.
“Vocês vieram me dar um aviso, né? Então levem uma resposta de volta: Blue Mary não se intimida com ameaças.”
“Droga… não nos avisaram que ela tinha compania!”
“Se você quer sobreviver nesse meio, é bom se informar melhor. E se tentarem algo assim de novo, vão ter que lidar comigo, Mai Shiranui.”
“E comigo também. Mas pode me chamar de ‘ex-guarda-costas anônima’.”
“?! …E-elas não são do KOF?! Tsk… recuar!”
Os homens bateram em retirada, ainda organizados, mas claramente derrotados.
“Bom, lá se foi meu cachorro-quente.”
Diferente de Mary, que conseguiu terminar o dela no último segundo, os lanches de Mai e King estavam no chão, cobertos de ketchup e mostarda.
Nenhuma das três estava nervosa ou assustada.
Afinal, já tinham passado por coisas piores.
“Eu compro mais.”
Mai se levantou e foi até o carrinho de cachorro-quente.
“Moça, mais dois cachorros-quentes… não, melhor três. Acho que Mary aguenta outro.”
“Ah, você de novo. Não precisa pagar.”
“Hã? Como assim?”
“Já pagaram pra você. Aqui, leva.”
“Quem pagou?”
“Uma garotinha fofa. O nome dela era… Maria? Mario? Mariko? Ah, não, espera… Malin! Isso! Era Malin!”
“…Malin?”
“Sim, e ela deixou um recado.”
Quando Mai voltou, sua expressão estava diferente.
Mary e King perceberam na hora.
“O que houve?”
“Parece que já tem gente sabendo que estaremos no KOF.”
“A gente participa quase todo ano, isso não é novidade.”
“Seja quem for, ela não queria um autógrafo.”
“Então o que foi?”
“Ela pagou nossos cachorros-quentes.”
“O quê?”
“E deixou um recado: ‘Isso foi divertido, saibam que eu também vou participar. – Malin.’”
“Malin? Não foi o nome que um daqueles caras chamou durante a briga?”
“Bom, agora tanto faz. A gente vai descobrir sobre isso só no torneio. Olha, mais uma rebatida!”
A torcida dispersa vibrava no estádio, enquanto o sol se punha lentamente no horizonte.